Cidade Velha - Belém - Pará - Brasil

Um passeio pela história monumental

Percorrer Belém na companhia de um arquiteto que conhece a fundo a história da cidade já seria um privilégio ao visitante. Mas fazer esta viagem com o arquiteto que preside o Fórum Landi, voltado à revitalização do centro histórico de Belém, torna-se um aprendizado inesquecível sobre a história e cultura da cidade.

Nesta reportagem, o arquiteto Flávio Nassar sugere um passeio pela história de Belém, ressaltando aspectos pitorescos e pouco explorados pelos guias turísticos, como a escavação arqueológica em andamento na Casa Rosada, cuja reforma está sendo executada por uma empresa privada. Ele também aponta sua preferência gastronômica no circuito que vai do Largo da Sé ao Largo do Carmo.

Neste sábado, comemore o aniversário de Belém de maneira diferente. Comece o passeio pelo Largo da Sé, visite igrejas, ruelas - que tal a primeira rua de Belém? - e termine no Largo do Carmo, comendo um bom camarão da dona Ione, no Nosso Recanto. Essas são, em linhas gerais, as sugestões de Flávio Nassar, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará.

'Na Sé, vale destaque o que talvez seja o mais importante espaço da memória coletiva de Belém, porque é parte da fundação da cidade e, ao mesmo tempo, tem uma série de símbolos importantes', explica Nassar. Além do Forte do Castelo, que deu origem à cidade, temos a Igreja de Santo Alexandre e a Catedral da Sé, que inscreve Belém entre as grandiosas construções do período joanino (relativo ao rei português D. João V). A catedral é uma das maiores 'extravagâncias' do Brasil 'cometidas' por D. João V. 'Isso mostra que o estilo joanino não se limitava à metrópole, mas ultrapassava o além-mar', analisa o arquiteto.

Outro ícone do largo é lembrado pela ausência. Trata-se do casario destruído em 1967 e substituído pelo prédio que abrigou a loja Bechara Mattar. 'A ausência do casario descaracterizou o traçado original do largo, com a construção daquele mastodonte horroroso, mas o fogo vingou-se', definiu o arquiteto, lembrando do incêndio que anos mais tarde viria a destruir o prédio construído no lugar do monumento histórico.

Foi durante o governo Antônio Lemos que a praça do largo recebeu o nome de Frei Caetano Brandão, em homenagem ao arcebispo português que fundou ali o I Hospital da Misericórdia, transformado depois em Hospital da Santa Casa de Misericórdia.

Ainda no largo da Praça Frei Caetano, Nassar destaca a suntuosa Casa das Onze Janelas, que passou por um importante restauro e teve recuperadas suas linhas originais, e o Forte do Castelo, já sem o antigo muro de pedra, cuja derrubada na última intervenção, liderada pelo arquiteto Paulo Chaves, gerou polêmica na cidade.

LIGAÇÃO

Um passeio pela primeira rua de Belém, batizada de Rua do Norte, hoje Siqueira Mendes, se constitui na segunda etapa do roteiro histórico proposto pelo arquiteto. É o elo de ligação entre o Largo da Sé e o Largo do Carmo, o outro ponto do circuito de Nassar. Depois de ter sido habitada possivelmente pelos índios, a rua foi ocupada pelos portugueses, abrigando estaleiros para reparos de naus e depois sendo construídas importantes habitações. Uma das construções de época foi a chamada Casa Rosada, que hoje passa por uma intervenção patrocinada pela empresa Alubar, com o assessoramento do Fórum Landi.

A reforma inclui estudos arqueológicos que estão sendo coordenados pelo arquiteto Fernando Marques e que serão abertos à visitação pública. 'Será a primeira vez que a população terá acesso à casa e ao resultado das escavações arqueológicas, numa forma de presente para a cidade', explica Nassar.

A Casa Rosada pertenceu a um homem que enriqueceu depois que comprou o imóvel, a partir da última metade do século XVIII. Na época, o então milionário contratou ninguém menos que o famoso arquiteto Antonio José Landi para terminar a reforma

Outra parada sugerida por Nassar é a Fábrica Bitar, na mesma esquina, onde se fabricou o primeiro pneumático do Brasil, na década de 40. No mesmo circuito, o visitante não pode deixar de ver a Fábrica Soberano, que fabricava a Cola e o guaraná Soberano, os refrigerantes mais consumidos na época.

O Beco do Cardoso, atualmente obstruído, onde era a rua do Atalaia (atual Joaquim Távora), provavelmente uma porta de observação da entrada do rio Guamá, é outra parada obrigatória na 'viagem' do arquiteto, antes da chegada ao Largo do Carmo.

Ali, diferentemente do Largo da Sé, todo o traçado urbanístico foi mantido. 'Ali se conservam as características originais do urbanismo português, preservando-se a sua volumetria', disse Nassar. É no Largo do Carmo que está instalada a sede do Fórum Landi, no prédio alugado da Motogeral e a Associação Cidade Velha, Cidade Viva, importantes mecanismos de defesa do centro histórico da cidade.

O mais importante monumento do largo, a Igreja do Carmo, é parada obrigatória no circuito do visitante. A peculiaridade da igreja é a construção de sua fachada, totalmente construída em Portugal, sendo depois desmontada e montada novamente em Belém. Igual à Igreja do Carmo, somente a Igreja da Conceição da Praia, de Salvador. A edificação precisa de reparo e também da intervenção do poder público para sua reforma.

O arquiteto encerra seu circuito apelando ao poder público para que promova uma intervenção rigorosa no Beco do Carmo, cuja carência é algo que descaracteriza e entristece o centro histórico.

 

Fonte: O Liberal - Atualidades - 7

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